CNE | Estado da Educação 2019

Jan 5, 2021 | Notícias

Conheça o retrato do sistema educativo português até 2019, recentemente divulgado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que evidencia a evolução que se registou no país, nos últimos dez anos.

 

O relatório está estruturado em quatro partes: as duas primeiras retratam a evolução que se registou nos últimos dez anos, em Portugal, no domínio da educação e formação de crianças, jovens e adultos, sustentada em indicadores de referência. Integra, igualmente, dados de estudos internacionais, com o objetivo de posicionar o nosso país no panorama europeu e internacional.

 

A terceira parte é dedicada ao ensino profissional e especificamente às ofertas educativas de formação inicial destinadas a jovens, visando um maior conhecimento das ofertas de dupla certificação de nível secundário.

 

Como a temática do ensino e formação profissional envolve inúmeras dimensões de análise, não caberiam num único capítulo do relatório. Por isso, o CNE solicitou o contributo de vários especialistas, cujos textos constituem a quarta parte do relatório, e que permitiram reunir diversas perspetivas sobre o assunto.

 

A escola portuguesa parece demasiado centrada no aprender verbal para reproduzir e aplicar, e insuficientemente focada no aprender fazendo, aprender a fazer e aprender a partir do fazer.

 

Este desinteresse da escola portuguesa pelo fazer poderá ser um resquício persistente de uma sociedade hierarquizada em que o “trabalho”, e sobretudo o trabalho manual, era, senão já condenação bíblica, pelo menos desprestígio social. O trabalho como dignidade e direito tem vida recente. Foi tema de debate ao longo dos séculos XIX e XX e, no século XXI, já consagrado como direito na nossa Constituição e na maioria dos textos internacionais, volta a ser tema de debate perante a aceleração da mudança, as transformações tecnológicas e climáticas em curso, e a incerteza que tudo isso provoca bem como perante o risco da sua escassez.

 

Nesta perspetiva, podem enunciar-se como orientações:

 

1) uma educação de qualidade que contemple aprendizagens integradas físicas, socioemocionais e cognitivas,

2) que vise o desenvolvimento de competências como a resolução de problemas, o pensamento crítico e a criatividade,

3) para todos

4) ao longo de toda a vida.

 

O ensino profissional, pela sua filosofia geral em que o “fazer” está muito mais presente, pela incorporação de estágios e de formação em contexto real de trabalho nos cursos, e por uma avaliação que integra a apreciação de portfólios e projetos, em provas públicas com um júri compósito que inclui elementos externos à escola, pode ser inspirador de mudanças no ensino académico tradicional, no sentido de uma valorização do “fazer”, do “agir” e do “criar”.

 

Da análise dos dados aqui incluídos, das visitas a escolas, das audições aos seus responsáveis e dos textos de especialistas podemos avançar com algumas pistas para a melhoria da situação do ensino profissional, como sejam, para além de uma constante coordenação e planeamento das ofertas, a necessidade de uma informação acessível a todos, completa, atempada e atualizada sobre as diversas ofertas de cursos de dupla certificação; uma efetiva orientação escolar e vocacional ao longo dos três anos anteriores (3º ciclo); uma maior permeabilidade entre as diferentes vias do ensino secundário; uma maior valorização dos cursos de dupla certificação, passando pela remoção de obstáculos à continuidade dos estudos e pela existência de ofertas mais diversificadas e prestigiantes de ensino profissional. E um acompanhamento contínuo e aprofundado da evolução e resultados deste setor tão importante do sistema educativo, capaz de promover não só níveis de escolaridade, cultura e proficiência cada vez mais elevados na população portuguesa, como o sentimento de dignidade de todos os alunos e de todos os cidadãos.

 

Saiba mais, consultando aqui o “Estado da Educação 2019” (edição de 2020).

 

Fonte: CNE/MC